Dona Serafina sabe mais que o Houaiss

Dona Serafina é uma leitora muito exigente. Como assinante do jornal, ela não suporta ver um erro sequer. Basta aparecer uma letra invertida ou um erro de digitação para a dona Serafina ligar. E dona Serafina fica sempre muito brava e indignada com os deslizes. Ela questiona se os jornalistas não sabem ler ou escrever, se ainda não descobriram que existe corretor ortográfico no Word e se não é possível a contratação de um revisor. Depois disso, desliga o telefone na cara, mas não sem antes ameaçar que irá cancelar a assinatura.

Mas, faz tempo que dona Serafina não aparece. O último telefonema dela era para dizer que tinha uma chamada errada na capa, pois "estrato social" jamais poderia ser com "s". "Pelo amor de Deus, nem precisei verificar para saber que é com 'x'. Como jornalistas que são deveriam ter um dicionário ao lado. É o mínimo", esbravejou dona Serafina, como mais um ser humano que decidiu que entende tudo de jornalismo.

Mas, como sempre atendeu a todos com muito bom-humor e paciência, a atendente decidiu procurar no dicionário, com a dona Serafina esperando do outro lado da linha, qual era a grafia correta da palavra que tanto perturbava aquela velha senhora. Pelo contexto, era mesmo com "s" e dona Serafina ficou desapontada por não estar certa desta vez e mesmo a atendente tendo lhe explicado que a definição era segundo o dicionário Houaiss, já com a nova regra gramatical, dona Serafina desligou o telefone na cara da atendente, mas não sem antes dizer: "Duvido!"

Chicken in, mexicano, Pizza Cone, Snacks. O que eles têm em comum?

Todos eles fecharam as portas de uma hora para a outra. E todos eles eramrestaurantes que eu gostava de frequentar, seja no Disk, passando para buscar ou comendo lá mesmo. Cada vez que descubro que não frequentarei mais um lugar que gosto, isso realmente me causa um certo tipo de tristeza.
O mexicano, por exemplo, me lembro dele a cada 15 dias, que é mais ou menos o tempo de eu ter vontade de comer um burrito, um tapa, uma guacamole e me embebedar com vários mujitos refrescantes. E o meu desejo é sempre acompanhado do lamento de não existir nessa cidade um bendito lugar para comer uma comida mexicana que se preze. Nem que não se preze tem. Era o único lugar. Já era. Para falar a verdade nem me lembro do nome, só sei que era lá no Boulevard e que era uma delícia. Para compensar, qualquer cidade que vou que tenha um mexicano, estou eu lá no restaurante para jantar. Em Campinas tem vários, em Ubatuba tem o Taco Surf, que é de mais, e até no Outlet da rodovia Bandeirantes tem um. E se alguém conhece algum aqui em Ribeirão, por favor, me diga já. Vale qualquer lugar que tenha pelo menos um tipo dessa comida picante.
Do Snacks eu já falei aqui. O Pizza Cone eu bem que ia de vez em quando quando saía do jornal. Lugar para ficar pouco: comer e zarpar, mas era interessante essa pizza em forma de cone. Fechou. A última tristeza foi a descoberta do fechamento repentino do Chiken in, que eu ia quase todas as quartas-feiras. É que quarta é dia jogo de futebol na televisão e ia lá com o meu marido buscar um franguinho para tomar com cerveja. Fe-chou. Já tentei um outro, lá na Avenida 13 de Maio, mas não chega nem aos pés. Alguém conhece algum outro ou vou ter que ir para Sertãozinho comer um Chicken in? Porque lá tem um, em Bebedouro tem um, mas aqui fechou.
Enquanto isso, os restaurantes japoneses proliferam como coelhos. Por que será que ribeirão-pretano não gosta das mesmas coisas que eu? Nada contra os japas e suas comidas cruas, mas por que tantos? Será que é por que é chique? Ribeirão-pretanto a-do-ra uma coisa chique...

Baixaria na estreia no Cinépolis

Estreia nacional do Nosso Lar. Sexta-feira. 20h. Sala 2 do Cinépolis, cinema do shopping Santa Úrsula. Eu realmente esperava por esse dia porque nem sempre me empolgo o suficiente com estreias para ir logo no primeiro dia. Nesse eu fui. Consegui sair a tempo do trabalho e fui a passos largos.

Logo de cara, o atraso de quase 15 minutos para o filme começar já me deixou com a pulga atrás da orelha. Pensei: "Aí tem." Mas o filme começou e, apesar das tiazonas que comentavam sem parar os trechos mais emocionantes (para elas e não para mim) e da menina do meu lado que não parava de mandar mensagens pelo celular, tudo parecia correr bem até os 90 minutos.

De repente a imagem ficou de ponta cabeça, aí voltou ao normal e pifou de vez. Uma atendente avisou: "Estamos com um probleminha, mas já vamos resolver. Desculpa aê." 15 minutos se passaram e um outro atendente, dessa vez com cara de gerente, veio e deu o mesmo recado, mas sem o "desculpa aê." Mais cinco minutos e uma outra atendente também com cara de gerente veio e nos avisou da notícia que já era esperada pela maioria: "Não tem conserto."

As 50 pessoas que ocupavam a sala tinham três alternativas: pegar o seu dinheiro de volta, ganhar um bilhete cortesia ou assistir o filme em outra sala (detalhe: já tinhamos assistido uma hora e meia de filme e nesta outra sala tinha começado há meia hora). Fiquei com a primeira opção.

Antes de ir embora, perguntei para a atendente com cara de gerente o que tinha acontecido e ela me respondeu que foi problema num tal de distribuidor. Pelo o que entendi, não é o responsável pela distribuição dos filmes, mas uma peça na fita. Sei lá. Só sei que o que eu não esperava do Cinépolis está se consolidando: ele está adquirindo os mesmos defeitos dos outros dois cinemas de Ribeirão.

Não digo que não volto nunca mais porque o lugar é do lado da minha casa e vou dar mais um voto de confiança. Mas o que eu ouvi de "não piso mais aqui" não deu para contar nos dedos. A minha dúvida agora é se encaro de novo 90 minutos de filme para descobrir o final ou se espero sair em DVD.

Quatro meses sem fumar e os pesadelos noturnos

Quem nessa vida já fez regime já passou pela situação degradante de sonhar que está devorando como um animal algum prato de comida. No meu caso, sonhava que tomava escondida atrás da porta do meu quarto escuro um pode de sorvete de dois litros de chocolate. E no sonho eu pensava: "Estou de regime. Não deveria estar tomando isso." Mas continuava tomando sem parar aquele bendito e delicioso sorvete proibido para a minha realidade.

Com o cigarro não é diferente. Exatamente há quatro meses sem dar um trago num cigarro, já sonhei duas vezes que fumava. Lembro direitinho do primeiro sonho: Estava num posto de gasolina lá em Piracicaba, na começo da rodovia Luiz de Queiróz, e eu ainda tinha o meu Celtinha branco (o meu primeiro carro em 2004). Tinha acontecido alguma coisa no sonho que eu só lembro de estar bem nervosa. Entrei na loja de conveniência comprei um maço de Marlboro vermelho e comecei a fumar sentada no banco do carro.

No entanto, a sensação era a mesma do pote de sorvete. Eu não deveria estar fumando. Afinal, tinha parado de fumar. Neste primeiro sonho, apaguei o cigarro e me arrependi por ter dado dois ou três tragos nele e ter estragado o meu primeiro mês sem cigarro.

Há 15 dias voltei a sonhar que fumava. Confesso que não me lembro detalhes deste sonho, mas era de novo um Marlboro vermelho e fumei durante toda a noite. Me lembro que, de novo, no sonho eu pensava que não devia estar fazendo aquilo, pois já tinha ficado quatro meses sem fumar. Mas, diferente do primeiro sonho, como eu já tinha estragado tudo com o primeiro trago, decidi fumar sem parar. E fumei um cigarro atrás do outro. Só no sonho.

A vida sem o Ipod

Desde que roubaram meu iPod na academia não tenho mais vontade de correr

Eram 2.274 músicas

Algumas que eram impossíveis de serem ouvidas numa corrida

Outras, muito pelo contrário

Preciso de outro iPod com a mesma capacidade

O mundo é dos Panças

Como uma pessoa que já nasceu praticamente obesa e nunca soube na vida o que é usar roupa tamanho "P", sempre precisei me preocupar com a alimentação e exercícios. Quando ainda não sabia cuidar de mim mesma era minha mãe quem fazia isso.

Era adoçante, pão sem miolo, leite desnatado e sorvete só de fruta. Uma tortura para uma criança, mas me tornei uma adulta com uma alimentação chata, mas saudável. Hoje realmente gosto de saladas, frutas e carne magra, mas meu pensamento ainda é de uma pessoa gorda. Também não gosto de exercício, mas pratico. Fazer o que? É por isso que sempre digo: "Eu sou gorda, mas no momento não estou gorda." Basta um deslize para ver o que é bom.

Como uma pessoa gorda que tenta não estar gorda estou sempre a procura de coisas lights, diets e naturebas. Mas tá foda. Dia desses, no Carrefour, não tinha uma infeliz de uma marca de suco light. Juro! Pensei: "Estão querendo deixar todos panças." Fui embora sem o suco. Não vou cair nessa.

Fui almoçar no Subway no dia seguinte e a lanchonete com seu conceito de comida saudável e sem gorduras também está se deixando levar para o Mundo dos Panças. A pergunta "Cookies ou chips para formar o combo por um real senhora?" não existe mais. O combo existe, mas ficou mais caro. Tudo isso porque a batata não é mais a pequena e sim a média e, pasmem!, não vem mais um cookie e sim dois. Quem, em sã consciência, pode querer comer dois cookies de sobremesa? Nem eu que tenho pensamento gordo sou capaz disso. Se estiver com uma companhia ainda vá lá, mas se não... Isso sem contar que água não entra no combo e se você pede um refrigerante a atendente te alopra para levar o de 500 ml por não sei mais quantos centavos.

No mesmo dia à noite fui ao Pão de Açúcar para comprar leite, aquele Nescau Light de caixinha, para levar no trabalho. Meu, não tinha nada light desse tipo para comprar. E suco, só o de Pêssego. Olhei para o lado e dois gordinhos faziam a festa com comidas gordas no carrinho. Não quero fazer parte dos panças a dominar o mundo, será que dá?

Snack´s agora é Olavo Restaurante

O Snack´s fechou suas portas depois de alguns meses da inauguração. Nesta semana reabriu como Olavo Restaurante. Os donos são os mesmos e o ambiente mudou pouco. Só algumas paredes pintadas, uma ou outra decoração diferente e toalhas de mesa, que se não me engano antes não tinha, e só.

A comida agora é por quilo e custa R$ 26,90. Um preço bom quando comparado com outros restaurantes por quilo pelos arredores da Avenida 9 de Julho. Eu já fui ao local duas vezes e gostei da comida. Eles preparam umas coisas diferentes e apesar de não ter a mesma variedade de um Tempero Brasileiro ou de um Classe A tem para todos os gostos. Agora também tem manobrista gratuito porque não tem lugar para estacionar lá perto. Não é mais o Snacks e não tem mais os Smoothies que eu adorava, mas vale e muito como mais uma opção de restaurante para quem precisa almoçar rapidinho e voltar para trabalhar.

Espero, sinceramente, que dessa vez o lugar vá para frente e que os donos - que estão sempre presentes no local - tenham paciência para esperar o retorno financeiro chegar. Pelo menos nos dois dias que frequentei, a movimentação parecia boa.

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Jornalista. Ardida. Gosta de livros, música, Mafalda, São Jorge, sorvete, corrida e bicicleta. Canta sozinha na rua e conta helicópteros no céu.

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