Meu mundo sem carro

Vou de avião, de táxi, metrô, ônibus, bike ou à pé. O que não quero mais é um automóvel na garagem. Eis aqui os motivos pelos quais decidi vender meu carro: 


Uma pesquisa mostrou que até 15 km todos os dias, táxi é mais barato do que carro. Não lembro a última vez que rodei tudo isso em São Paulo.
Meu carro não cumpre mais com a função pela qual ele foi comprado: praticamente não me leva para mais lugar nenhum e fica cerca de 15 dias parado na garagem.

Moro a um quarteirão do metrô e de uma das principais avenidas de São Paulo, onde encontro todas as linhas de ônibus e táxis.

Quando vou a shows, bares e restaurantes ou demais locais que não consigo chegar de metrô, sempre vou de táxi. Portanto, estou gastando dinheiro duas vezes: com o carro parado na garagem e com o taxista.

Lembram do desenho do Pateta? Então, eu sou ele no trânsito. Brigo, dou luz alta, fico estressadérrima com qualquer congestionamento. No táxi, vou dormindo, ouvindo música, lendo e, na pior das hipóteses, conversando com o motorista. O risco de eu arrumar uma briga no trânsito é quase nenhum.

O seguro do meu carro custa R$ 2,6 mil. Preciso falar mais alguma coisa?

Ah, precisa... tem licenciamento, DPVAT, inspeção veicular e, claro, as multas.

Qualquer ida à oficina, é milão que morre

Ah, e tem também os estacionamentos. A primeira hora custa, pelo menos, uns quinze pilas. Não pago.

Sem carro, vou viajar mais de avião.

Se não puder chegar de avião, alugo um carro e um carro melhor que o meu, com freios ABS, air bags e o escambau.

O risco de eu sofrer um sequestro relâmpago diminui muito.

O risco de eu atropelar um pedestre e ser linchada é inexistente.

Eu vou caminhar muito mais e conhecer mais a cidade e, quem sabe, ter pernas mais duras.

Há também uma pegada sustentável nisso, pois sou super a favor do transporte coletivo e me causa indignação observar aquele trânsito de quilômetros com um só ser dentro de cada carro. É preciso ter o mínimo de consciência sobre o mundo em que vivemos.

Moro a um quarteirão do meu trabalho e Mario usa o metrô

Dia desses me peguei indo de ônibus para o MBA e só lembrei que o meu carro estava parado na garagem no meio do caminho. Sério

Carro para mim não significa status. Eu quero é chegar nos lugares. Seja lá como for.

Por isso, meu carro estará à venda em poucos dias. Se eu sentir muita falta, compro de novo. Enquanto isso, vou contando por aqui a minha saga. Para ver se vocês se inspiram. Ou não.





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Jornalista. Ardida. Gosta de livros, música, Mafalda, São Jorge, sorvete, corrida e bicicleta. Canta sozinha na rua e conta helicópteros no céu.

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