Vida de Escritor

Gay Talese assistiu ao final da copa feminina de futebol entre EUA e China, em 1999, pela televisão, enquanto a sua mulher estava trancada no andar de cima da casa cuidando da edição de livros de outros escritores, que não ele. O jogo foi para a prorrogação e depois para os pênaltis. As chinesas, consideradas as favoritas, perderam um pênalti e as americanas venceram. A matéria? Enquanto todos falavam da vitória das americanas, Talese lembrou de como a chinesa responsável pela derrota seria recebida em seu país de origem. Seria cobrada pelos seus pais? Alguém a esperaria no aeroporto? Pegou o avião e foi pra lá, sem entender muito bem porque estava tão preocupado com a tal chinesa, que praticamente se tornou sua musa, criada desde a infância para não envergonhar o seu país.
Confesso que sou um tanto quanto avessa ao tal do jornalismo literário. Gosto mesmo é de ir no lide. "Simples, assim", como diria um dos meus primeiros editores, quando ainda era uma foca lá no Jornal de Piracicaba. Mas, começo a acreditar que sempre tive uma visão conturbada sobre o que é jornalismo literário. Deve ser porque a maioria das pessoas que conheci e que se intitulam adeptas do "new jornalism" não tinha talento para a coisa. Quem não sabe escrever lide, não sabe fazer um bom texto, mas ainda assim há repórteres que acham que isso é possível. Então, caem no piegas, na redação de oitava série: "chovia ontem", "o sol refletia na água do mar", coisas desse tipo. Aí não dá!!!! Mas, lendo o Vida de Escritor, do Gay Talese, confesso que começo a enxergar de outra maneira. Não é o texto rebuscado, florido, que faz o jornalismo literário. É outra coisa. É preciso ter vocabulário, enxergar além, entender das coisas.

Entrevista com a prefeita

Dia desses fui entrevistar a prefeita Dárcy Vera para um freela. Eis que ela conta uma história engraçada, mas um tanto quanto típica, vindo dela. A história: Em fevereiro, durante o encontro do presidente Lula com os prefeitos do País, Dárcy subiu no palanque, onde apenas os mandatários das capitais tinham cadeira cativa, se apossou do assento reservado para o prefeito de Curitiba, Beto Richa, que ainda não tinha chegado e nem do mesmo partido que o dela é, e ao ser questionada qual capital representava, não pestanejou. “Sou prefeita da capital do Agronegócio.” Os organizadores do evento bem que tentaram tirá-la de lá, mas ela não desgrudou da cadeira e ficou  até conseguir falar com o presidente. “Cheguei, não vi o Beto Richa, peguei o papelzinho dele, embolei, coloquei na bolsa e sentei .O segurança disse que eu precisava sair porque estava causando constrangimento ao presidente e falei para ele que só sairia carregada na cadeira.” Foi a primeira vez que ela conseguiu falar com o presidente.

'The Most Popular Politician on Earth'

Esse é o título de uma matéria publicada na News Week desta semana. E o mais popular político da Terra, no caso é o nosso presidente Lula. A reportagem de nove parágrafos mostra como o presidente do Brasil conseguiu se tornar um dos nomes mais importantes da política mundial. Assinado pelo repórter Mac Margolis, o texto começa com a infância pobre do presidente, sua ida até Brasília, seu mau desempenho escolar, e como hoje ele é a estrela da Assembleia Geral das Nações Unidas. "That´s my man right there", disse Obama neste ano, em um outro encontro. A reportagem ainda trata sobre a crise, ponto forte para que Lula alcançasse o posto de estrela mundial, pois o Brasil conseguiu "superar" a crise melhor que a maioria das outras nações. Mas, outro ponto forte da reportagem é a dificuldade de Lula em fazer o sucessor e a falta de charme de Dilma, que a coloca bem distante do pódio para ocupar o cargo. Enquanto isso, aguentamos o governador do Estado de São Paulo, José Serra, no primeiro lugar do ranking. Sem nenhum nome muito pulsante na oposição, Serra ainda discute com Aécio para saber quem não vai, pois um é a outra opção do outro. Fumantes, preparai-vos: a primeira missão de Serra como presidente será mandar ao Congresso uma lei antifumo de abrangência nacional. Façam como meu marido e lancem a campanha: minha cozinha, meu buteco. Lá todos podem fumar.

Sobrinha de Peixe


Novidade na música. Já dizem por aí que Adriana Peixoto é a nova diva da MPB e o tio, Cauby, a compara com Elis Regina


“É do nível de uma Elis Regina.” O elogio foi feito para a cantora Adriana Peixoto pelo tio, o cantor popular da época áurea do rádio, também conhecido como o Elvis Presley brasileiro, Cauby Peixoto. Comparar a sobrinha com uma das maiores cantoras do País pode parecer um exagero. Mas Cauby não é desses que rasgam frases por aí sem ter um bom motivo. Há anos cantando pela noite, a carioca Adriana Peixoto, 34 anos, lançou o seu primeiro CD no ano passado e já estão dizendo por aí que ela é a nova diva da MPB —e não à toa: Adriana tem um certo jazz na voz, tem estilo, tem força.


De família tradicional no cenário musical —ela também é sobrinha do maestro Moacyr Peixoto; filha do pistonista Araken Peixoto; prima do sambista Dalmo Medeiros, do grupo MPB4; e sobrinha-neta do compositor e pianista Nonô, que acompanhava Noel Rosa e Carmen Miranda— Adriana atribui a mãe o gosto pela música. Isso porque enquanto o pai saía para tocar na noite, a mãe cantava para ela. “Era um livro azul com muito samba-canção e cantávamos até o meu pai chegar, lá pela uma da manhã. Eu falava para minha mãe: ‘canta aquela’, ‘canta mais uma.’”

Com o CD de estreia, que leva o seu nome e foi lançado pelo selo independente Studium Brasil, Adriana tem conquistado seu espaço como intérprete da música popular brasileira, onde extravasa maturidade e musicalidade. “Canto o que tem poesia. É onde me sinto à vontade.” O disco é curto, tem dez faixas, e inclui samba, balada romântica e samba-rock. São apenas três regravações. As outras sete músicas são de compositores consagrados, que lhe presentearam canções inéditas, como o primo Dalmo, Sueli Costa e Isolda.

“Quando descobri que ia gravar o CD liguei para o Dalmo, que me mandou umas músicas.” Fora ele, os demais compositores mandaram também e, no final, para quem não tinha nenhuma, eram quase 60 músicas para Adriana selecionar. Ficaram dez.

Na noite paulistana, Adriana já é sucesso, capaz de encher todos os sábados o Bar Brahma, onde está em turnê até o fim de julho. Depois, a cantora vai para o Rio de Janeiro, onde tocará pela primeira vez após o lançamento do CD. Se Ribeirão está nos planos? “Estou doida para ir para Ribeirão. Já falei para a minha assessora que precisamos ir para o interior de São Paulo”, disse.

Para quem acha que ela falou isso só para agradar os ribeirão-pretanos, esqueça: Adriana já morou em Santa Rita do Passa Quatro por dois anos e vinha sempre para Ribeirão tomar um chope gelado no Pinguim.
Vale ressaltar que antes de gravar o seu primeiro disco, Adriana cantou não só pelos bares noite afora: até supermercado já foi palco para ela.

Destaque do disco é dueto com o tio


Um momento especial do CD é o dueto que Adriana faz com Cauby em Altos e Baixos, de Sueli Costa e Aldir Blanc, gravada originalmente por Elis Regina, em 1979. Sem se intimidar na presença do “professor”, como é conhecido o tio, Adriana solta a voz e mostra toda a força de sua interpretação. Também de Sueli Costa é Elizeth, um samba inédito em homenagem à “divina” Elizeth Cardoso. E, por último, tem Na Batucada da Vida, de Ari Barroso/Luiz Peixoto, gravada originalmente por Carmen Miranda, na década de 30, e depois, também por Elis.

Cada uma das faixas surpreende pela sonoridade, que ganha contornos latino-americanos com os arranjos e a produção musical do pianista Yaniel Matos, um dos expoentes da música cubana.

Adriana disse que assim que avisou o tio que tinha sido convidada para gravar o CD, ele logo pediu para gravar uma, pelo menos uma, música com ela. “Ele até já sabia qual música que iria gravar comigo.”

Entre as influências de Adriana está Elis Regina, Ella Fitzgerald, Alcione, Jane Duboc, Fátima Guedes e Maria Bethânia

Por Maria Fernanda Ribeiro

Uma história da máfia


Acabei de terminar mais um livro do Mario Puzo, o mestre das histórias da máfia. Dessa vez li o Último Chefão, que conta a saga dos últimos mafiosos que viveram nos Estados Unidos e a influência deles em Las Vegas e Hollywood. O livro é bom, daqueles que a gente lê até de madrugada para acabar logo, mas nada que se compare ao Poderoso Chefão, no qual Don Corleone, interpretado por Marlon Brando no filme, é o chefe da família. Don Clericuzio não chega nem aos pés do Corleone.Começo agora a Vida de Escritor, do Gay Talese e depois leio mais algum sobre a máfia, desde que seja do Puzo, pois escritores mais modernos, como Roberto Saviano, autor de Gomorra, muitas vezes têm boas histórias nas mãos, mas raramente sabem escrever um bom livro.

Bla bla bla

A mídia virou inimiga das instituições públicas, diz Sarney. Não entendi, cara-pálida, e antes não era? Desde quando a mídia existe para passar a mão na cabeça dos nobres representantes do nosso País, que com o dinheiro público, mandam e desmandam, compram e vendem e ainda por cima tiram um sarro da nossa cara? A imprensa, sim, deve ressaltar o que há de bom, mas nos últimos tempos está difícil destacar uma mísera ação positiva. Supondo que eles não roubassem, não aprontassem das suas peripécias, já seria difícil destacar algo. Mas o que o Sarney sabe, mas é mais fácil fingir que não sabe, é que a imprensa existe para cobrar, para criticar, para mostrar o que ainda falta ser feito e sendo dinheiro público, então, nem se fala.

Enfim

Há tempos ensaio para ter um blog. Não sei exatamente ainda qual o motivo, mas descobrirei em breve. Acho que é para escrever o que tenho pensado sobre algumas coisas que acontecem por aí e que não posso publicar no jornal. Não pretendo falar da minha vida pessoal. Quero apenas escrever, o que não tenho feito muito nos últimos tempos depois que adquiri o burocrático cargo de pauteira. Escrever sobre música, cinema, futebol, fórmula 1, jornalismo, política, economia, viagem, causos e fatos. Vamos ver no que vai dar.

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Jornalista. Ardida. Gosta de livros, música, Mafalda, São Jorge, sorvete, corrida e bicicleta. Canta sozinha na rua e conta helicópteros no céu.

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