Alphaville de Ribeirão não será cercado por muros

Reportagem do Estadão, escrita por Diego Zanchetta. Publico no blog na íntegra. Só para chamar ainda mais a atenção, o local será erguido nas margens de uma rodovia e nem guaritas e nem muros serão permitidos para cercar o empreendimento. Também tem córrego e mata nativa nos arredores. O site do Alphaville anuncia o empreendimento com guaritas e câmeras. Isso também não será permitido. Só para esclarecimento, o local foi aprovado pela Câmara como loteamento, o que significa que o local será um bairro e não um condomínio fechado. Portanto, caberá a Prefeitura realizar toda a infraestrutura do empreendimento. Se tivesse sido aprovado como condomínio, o Alphaville é que deveria dar conta da rede de esgoto, coleta de lixo, asfalto, etc. Sendo um bairro, pode entrar quem quiser e quando quiser. Ninguém poderá ser barrado na portaria. Divirtam-se!

Prefeitura veta o fechamento do loteamento, ao contrário do que anunciavam corretores e o site do empreendimento imobiliário

Diego Zanchetta - O Estado de S.Paulo

Em Ribeirão Preto, os 586 primeiros terrenos do futuro Alphaville da cidade do interior paulista foram vendidos em menos de duas horas, no fim de março. Mas a alegria das famílias que conseguiram uma área no condomínio mais cobiçado da região pode virar frustração. Segundo o Ministério Público Estadual, o loteamento não poderá ser fechado por muros e guaritas, como anunciam os corretores e o site do empreendimento.

A própria autorização da Prefeitura para os loteadores, emitida no dia 10 de dezembro, não permite o fechamento das ruas do conjunto, localizado em uma colina a 10 quilômetros do centro, numa área cercada por mata nativa e córregos. O contrato de compra recebido por quem adquiriu um dos terrenos também informa que o local será um loteamento, com a possibilidade de ser celebrado um acordo com as autoridades para a instalação das guaritas. A Alphaville Urbanismo também confirmou que serão permitidos muros somente dentro dos lotes privados.

Compradores. "A cláusula 21 já informa que é um loteamento, e não um bairro fechado. Aqui em Ribeirão não será um condomínio como o Alphaville de Barueri, fechado com guaritas. Mas quem comprou um lote tinha essa ideia. As pessoas, na ansiedade de comprarem um terreno no único dia das vendas, talvez não tenham lido direito o documento", afirma o promotor da Habitação Alberto Machado, que há duas semanas obteve decisão no Tribunal de Justiça de São Paulo que obrigou a derrubada dos muros de outros dois condomínios de alto padrão da cidade localizada a 313 km da capital, o Royal Parque e o Jardim Itanhangá.

Para quem gastou até R$ 800 mil para adquirir só um terreno, como a empresária do ramo de cosméticos Maurilice Andrade e Souza, de 42 anos, seria impossível prever que o loteamento não seria fechado por muros. "Comprei por causa da grife Alphaville. Uma tia minha mora aí em Barueri e pensei que o condomínio seria igual. Imagine que eu vou investir agora para construir uma casa e morar com a estrada ao meu lado, sem muro de proteção... Quero que tenha guarita como diz o site", afirma a empresária.

Perigo. "Eu comprei o terreno justamente para poder construir uma casa sem muros. Se o condomínio não vai ter controle de entrada, vai ser mais perigoso que morar na cidade, pois vamos estar do lado da estrada e numa casa sem muros", emendou o engenheiro químico Joel Palhares, de 36 anos, que comprou um lote de 622 metros quadrados por R$ 500 mil. "Tenho certeza de que as regras vão mudar até a inauguração do condomínio, em 2012. Isso eu aposto", diz o engenheiro.

O terreno do Alphaville Ribeirão tem o tamanho do Parque do Ibirapuera e fica ao lado da Rodovia SP-328, que liga Ribeirão ao distrito de Bonfim Paulista. Durante o processo de legalização do empreendimento, os construtores negociaram com o governo municipal a retirada de 400 pessoas de uma favela que ficava dentro da área do loteamento. Os empreiteiros vão construir um conjunto habitacional de casas para os moradores da favela.

Acesso. Em nota oficial, a Alphaville Urbanismo confirmou que serão construídos muros somente no interior dos lotes privados, e não em todo o entorno do loteamento, como já ocorre nos conjuntos da empresa em Barueri e em Santana de Parnaíba. O projeto de Ribeirão Preto, segundo a empresa, "foi elaborado com o objetivo de facilitar o monitoramento da segurança". "Portanto a área residencial do empreendimento terá apenas uma via como acesso." A nota, porém, não esclarece se serão construídas guaritas e uma portaria de controle de entrada, como informam o site e as imobiliárias credenciadas pelo empreendimento.

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