Sobrinha de Peixe


Novidade na música. Já dizem por aí que Adriana Peixoto é a nova diva da MPB e o tio, Cauby, a compara com Elis Regina


“É do nível de uma Elis Regina.” O elogio foi feito para a cantora Adriana Peixoto pelo tio, o cantor popular da época áurea do rádio, também conhecido como o Elvis Presley brasileiro, Cauby Peixoto. Comparar a sobrinha com uma das maiores cantoras do País pode parecer um exagero. Mas Cauby não é desses que rasgam frases por aí sem ter um bom motivo. Há anos cantando pela noite, a carioca Adriana Peixoto, 34 anos, lançou o seu primeiro CD no ano passado e já estão dizendo por aí que ela é a nova diva da MPB —e não à toa: Adriana tem um certo jazz na voz, tem estilo, tem força.


De família tradicional no cenário musical —ela também é sobrinha do maestro Moacyr Peixoto; filha do pistonista Araken Peixoto; prima do sambista Dalmo Medeiros, do grupo MPB4; e sobrinha-neta do compositor e pianista Nonô, que acompanhava Noel Rosa e Carmen Miranda— Adriana atribui a mãe o gosto pela música. Isso porque enquanto o pai saía para tocar na noite, a mãe cantava para ela. “Era um livro azul com muito samba-canção e cantávamos até o meu pai chegar, lá pela uma da manhã. Eu falava para minha mãe: ‘canta aquela’, ‘canta mais uma.’”

Com o CD de estreia, que leva o seu nome e foi lançado pelo selo independente Studium Brasil, Adriana tem conquistado seu espaço como intérprete da música popular brasileira, onde extravasa maturidade e musicalidade. “Canto o que tem poesia. É onde me sinto à vontade.” O disco é curto, tem dez faixas, e inclui samba, balada romântica e samba-rock. São apenas três regravações. As outras sete músicas são de compositores consagrados, que lhe presentearam canções inéditas, como o primo Dalmo, Sueli Costa e Isolda.

“Quando descobri que ia gravar o CD liguei para o Dalmo, que me mandou umas músicas.” Fora ele, os demais compositores mandaram também e, no final, para quem não tinha nenhuma, eram quase 60 músicas para Adriana selecionar. Ficaram dez.

Na noite paulistana, Adriana já é sucesso, capaz de encher todos os sábados o Bar Brahma, onde está em turnê até o fim de julho. Depois, a cantora vai para o Rio de Janeiro, onde tocará pela primeira vez após o lançamento do CD. Se Ribeirão está nos planos? “Estou doida para ir para Ribeirão. Já falei para a minha assessora que precisamos ir para o interior de São Paulo”, disse.

Para quem acha que ela falou isso só para agradar os ribeirão-pretanos, esqueça: Adriana já morou em Santa Rita do Passa Quatro por dois anos e vinha sempre para Ribeirão tomar um chope gelado no Pinguim.
Vale ressaltar que antes de gravar o seu primeiro disco, Adriana cantou não só pelos bares noite afora: até supermercado já foi palco para ela.

Destaque do disco é dueto com o tio


Um momento especial do CD é o dueto que Adriana faz com Cauby em Altos e Baixos, de Sueli Costa e Aldir Blanc, gravada originalmente por Elis Regina, em 1979. Sem se intimidar na presença do “professor”, como é conhecido o tio, Adriana solta a voz e mostra toda a força de sua interpretação. Também de Sueli Costa é Elizeth, um samba inédito em homenagem à “divina” Elizeth Cardoso. E, por último, tem Na Batucada da Vida, de Ari Barroso/Luiz Peixoto, gravada originalmente por Carmen Miranda, na década de 30, e depois, também por Elis.

Cada uma das faixas surpreende pela sonoridade, que ganha contornos latino-americanos com os arranjos e a produção musical do pianista Yaniel Matos, um dos expoentes da música cubana.

Adriana disse que assim que avisou o tio que tinha sido convidada para gravar o CD, ele logo pediu para gravar uma, pelo menos uma, música com ela. “Ele até já sabia qual música que iria gravar comigo.”

Entre as influências de Adriana está Elis Regina, Ella Fitzgerald, Alcione, Jane Duboc, Fátima Guedes e Maria Bethânia

Por Maria Fernanda Ribeiro

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