O guardador de carro

"Não quero ficar aqui não. Acho que amanhã vou embora. Tenho vergonha", diz M., 16, com o boné encravado na cabeça, sem dar a mínima importância para um dos quarteirões mais disputados e lucrativos da Avenida 9 de Julho, em Ribeirão Preto, quando o assunto é olhar o carro alheio. M. é sobrinho de outro guardador, que está com "algum problema de pulmão aí" e para não perder o ponto logo escalou o sobrinho para dominar o lugar e mostrar que ali continua tendo um dono. Na semana passada, era um outro garoto que vigiava o canteiro central, onde quem procura desesperadamente uma vaga para estacionar são os médicos e funcionários das clínicas ao redor e os pacientes, como não poderia deixar de ser. Médicos e funcionários costumam pagar mensalmente e o valor costuma variar de acordo com o, digamos, porte do carro. Os demais pagam quanto tem, mas também não possuem algumas regalias, como o direito de sair para almoçar e, na volta, encontrar a sua vaga demarcada com duas cadeiras e um guardador te esperando para te ajudar na baliza. M. diz que trabalhava num lava-rápido e lá, além do salário, dava gorjeta quem queria e não precisava sair correndo atrás de ninguém.

3 comentários:

André 1 de outubro de 2009 18:43  

e o "prefs" daí? Utiliza os serviços também? Acha que está de bom tamanho? Esmola camuflada e manutençao da miséria. Qualquer hora um mais esquentado vai acabar saindo na mão com algum desses guardadores e a manchete nao poderá ser outra a nao ser: Morreu na contra-mão atrapalhando o trafego.

Anônimo 1 de outubro de 2009 19:49  

Na verdade, quase já saíram na mão com um desses por aqui... a polícia foi acionada, o delegado prometeu fazer a limpa, virou notícia no jornal e, como era de se esperar, passou...

Gabriela Yamada 1 de outubro de 2009 21:46  

E o cara paga a mensalidade dos filhos com a grana que tira olhando os carros na Nove...

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