Mamão de sobremesa!

No livro Vida de Escritor, do Gay Talese, tem um capítulo interessante dedicado aos restaurantes. Talese conta que gosta muito de comer fora e da sua mesa presta muita atenção na conversa da mesa alheia. Depois de ler isso, reparei que sou assim. Sempre. Sozinha ou acompanhada. No buteco, na padaria ou no restaurante. Sim, eu presto atenção na conversa e no movimento dos outros enquanto almoço ou janto ou belisco qualquer coisa. O mais interessante disso é que muitas vezes você apenas supõe o que pode estar acontecendo e diálogos são criados na sua mente.

E, a última conversa que me chamou a atenção, foi no último domingo, na Picanha Fatiada. Enquanto meu rodízio ainda acontecia reparei que a mulher sentada duas mesas distantes da minha decidiu pedir uma sobremesa. O marido (acho que é marido) pediu um café. A filha (acho que é filha deles) pediu um petit gateau e a mulher pediu um mamão. Um mamão. Como ela estava longe de mim eu tinha quase certeza que era um mamão, mas por acreditar que ninguém pede um mamão de sobremesa num restaurante, deixei pra lá.

O suposto marido fez um sinal com a mão, como se tivesse jogando mel em cima de alguma coisa, de forma imaginária. Interpretei que ele sugeria algo para colocar em cima do mamão. Mas, de longe, ouvi ele dizendo para o garçom que podia trazer a tal coisa porque "ficava muito melhor." Criei, então, a cena na minha cabeça: ela pediu um creme de mamão papaya e ele aconselhou que bom mesmo seria com cassis.

Eis que chega o mamão. Sim, era um mamão. Desses que a gente come no café da manhã, mas nunca como sobremesa num restaurante. E na sequência o garçom trouxe limão. Era mamão com limão. Ela comeu e balançou a cabeça como que concordando com ele sobre a sugestão. Então, ele disse: "Não falei?"

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Jornalista. Ardida. Gosta de livros, música, Mafalda, São Jorge, sorvete, corrida e bicicleta. Canta sozinha na rua e conta helicópteros no céu.

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